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terça-feira, 7 de abril de 2015

Bays, cradles, balustrades, swings, beaches and tides / Baías, berços, balaustradas, balanços, praias e marés

Walking around my city, seeing the "bays" on every beach - at the fishermen beach, at the Paciência Beach, at the Buracão Beach, in Rio Vermelho neighborhood, at the Porto da Barra beach - all concave, rounded, cozy, welcoming, inviting as cradles; watching the boats and their swing on the gentle tide of this protected sea, it suddenly became so obvious and made so much sense that the Flymoon® was born here. "Of course!", I suddenly thought. It had to be a Bahian invention, it had to be with the Bahia sea swing, it had to be cozy, colorful and unstable as the city of Salvador.
It goes to the world, connects with the poetry of the moon and takes off the floor. However, it has roots.


Foto: Isbela Trigo. Porto da Barra, Salvador.

Foto: Isbela Trigo. Porto da Barra, Salvador.


Foto: Isbela Trigo. Porto da Barra, Salvador.
Foto: Isbela Trigo. Porto da Barra, Salvador.
Andando pela minha cidade, vendo as "baías" em cada praia - na praia dos pescadores, na praia da paciência, na praia do Buracão, no Rio Vermelho, na praia do Porto da Barra -, todas côncavas, arredondadas, acolhedoras, aconchegantes, convidativas como berços; vendo os barquinhos e seu balanço na maré suave deste mar protegido, de repente ficou tão óbvio e fez tanto sentido que a Flymoon® tenha nascido aqui. "É claro!", eu pensei de repente. Tinha que ser uma invenção baiana, tinha que ser com balanço de mar da Bahia, tinha que ser aconchegante, colorida e instável como a cidade de Salvador. 

Vai para o mundo, conecta com a poesia da lua e tira o chão. No entanto, tem raízes.

domingo, 1 de março de 2015

About the hidden obvious and the baptism of Flymoon® / Sobre o óbvio oculto e o batismo da Flymoon®

According to Stephen Nachmanovitch (1993)
"Many of the major scientific, artistic and spiritual discoveries were actually revealing a surprising truism that no one so far had managed to see or imagine because they were all too frightened or too attached to traditional thinking."
Inspired by the swing, by the passion for everything that takes me off the floor, by the possibility of playing physically and symbolically with gravity, in 2001, on my research about movement in the Pilates studio and on the rehearsals of Ideias de Teto, I reversed the Half Moon, then supported its convex face on the floor and teased the instability that would completely change my life.
I wasn't able to find any records that this reversal had been tested before by any follower or practitioner of Pilates technique and not even by himself, which caused me great surprise, because at that time such use seemed so obvious, that I had no idea of the size of the novelty that was arising.
The new use made of the Half Moon already indicated the rise of something new. Conceptually, it had changed its purpose, it was no longer the same Half Moon. I started to call that new idea "reversed Half Moon" until, with the conceptual, methodological, material and commercial development that invention began to demand, Cláudio Soares (partner in this construction) suggested the name Flying Moon. I really liked it, but it still needed to be leaner and simpler, as the arc itself. I suggested Flymoon, one word only, with a poetic license to English grammar. And then we decided to leave it like this.
What was not predictable at the time was how much this invention would synthesize and symbolize everything that moves me and interests me; how much of a 'key' for new discoveries of my past and future choices it would mean; how much aggregating it would be to so many environments and so many professionals, who meet each other because of the movement.

Segundo Stephen Nachmanovitch 
(1993)

"Muitas das grandes descobertas científicas, artísticas e espirituais foram na verdade a revelação de uma obviedade surpreendente que ninguém até então havia conseguido ver ou imaginar porque estavam todos demasiadamente amedrontados ou excessivamente apegados ao pensamento tradicional."

Inspirada pelo balanço, pela paixão por tudo o que me tira o chão, pela possibilidade de brincar física e simbolicamente com a gravidade, em 2001, nas pesquisas de movimento no estúdio de pilates e nos ensaios de Ideias de Teto, inverti a Meia Lua, apoiei sua face convexa no chão e provoquei a instabilidade que mudaria completamente a minha vida. 

Não encontrei registros de que essa inversão tenha sido testada antes por nenhum seguidor ou praticante da técnica de Pilates e nem por ele mesmo, o que me causou imensa surpresa, pois, naquele momento, aquela utilização me parecia tão óbvia, que não tive a noção do tamanho da novidade que estava surgindo.

O novo uso dado à Meia Lua já apontava para o nascimento de algo novo. Conceitualmente, aquilo tinha mudado de função, já não era mais a mesma Meia Lua. Passei a chamar aquela nova ideia de Meia Lua invertida, até que, com o desenvolvimento conceitual, metodológico, material e comercial que esse invento começava a demandar, Cláudio Soares (parceiro nesta construção) sugeriu o nome Flying Moon. Gostei muito, mas ainda precisava ser mais enxuto e simples, como o próprio arco. Sugeri Flymoon, numa única palavra, numa licença poética à gramática inglesa. E em consenso deixamos assim.


O que não era previsível na época era o quanto essa invenção sintetizaria e simbolizaria tudo o que me mobiliza e me interessa; o quanto significaria uma 'chave' para novas descobertas das minhas escolhas passadas e futuras; o quanto seria agregadora de tantos ambientes e de tantos profissionais, que encontram-se pelo movimento. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Research and creativity through the moving body / Pesquisa e criatividade pelo corpo em movimento

For Paulo Freire: "there is no teaching without research and research without teaching."
And he explains:
 [...] From my understanding, what is there of a researcher within the teacher is not a quality or a way of being or acting that is added up to the teaching. The quest, the search, the research are part of the nature of the teaching practice. What is necessary is that, throughout their ongoing education, the teachers perceive and accept themselves - because they're teachers - as researchers. (FREIRE, 2009, p. 29)
The same way as Freire (2009), which argues that teachers must be understand themselves as researchers and take over the investigation as a life attitude, Winnicott (1975) states that there is a link between creative living and living itself. For him, people living creatively feel that life is worth living, while those who cannot live creatively have doubts about the value of living.
But ... how to exercise students' creativity in just 2 hours a week? How to convince people of the importance of a less directed and more creative activity? How to justify the methodological change? How to make the "empty" of improvisation less scary?

These were questions that began to find answers during my practice derived from the instability provided by the Flymoon®.












Para Paulo Freire: “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”. 
E ele explica:

[...] No meu entender o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou de atuar que se acrescente à de ensinar. Faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa. O que se precisa é que, em sua formação permanente, o professor se perceba e se assuma, porque professor, como pesquisador. (FREIRE, 2009, p. 29) 

Assim como para Freire (2009), que defende que o professor precisa entender-se como pesquisador e assumir a investigação como atitude de vida, Winnicott (1975) afirma que há um vínculo entre o viver criativo e o viver propriamente dito. Para este, as pessoas que vivem criativamente sentem que a vida merece ser vivida, enquanto aqueles que não podem viver criativamente tem dúvidas sobre o valor do viver. 

Mas... como exercitar a criatividade dos alunos em apenas 2 horas por semana? Como convencer as pessoas da importância de uma atividade menos dirigida e mais criativa? Como justificar a mudança metodológica? Como fazer “o vazio” da improvisação menos assustador?

Essas foram perguntas que começaram a encontrar respostas na minha prática a partir da instabilidade proporcionada pela Flymoon®.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Flymoon®: technique and poetics / Flymoon®: técnica e poética

It has been incredibly rewarding to realize how the Flymoon® equipment - designed to subvert gravity, to make dream and that was recreated for ankle mobilization, muscle strength, flexibility, balance work, strength, proprioception, among other motor aspects - is useful to environments of which I've always been a part of, but which barely dialogued: the dance and the Pilates studio. This creation finally brings closer, moves and gathers aspects there were always present and that are very important in my professional path: technique and poetics.

Dancers, acrobats, circus artists, yogis, athletes, rehabilitators, players, educators, children and all tribes: welcome to the Flymoon® and its Poetic Instability and enjoy!
Apresentação do espetáculo Ideias de Teto, Salvador, Bahia, Brasil, 2003. Eu grávida!

Apresentação do espetáculo Ideias de Teto, Salvador, Bahia, Brasil, 2003. Eu grávida!

Apresentação do espetáculo Ideias de Teto, Salvador, Bahia, Brasil, 2009.

Apresentação do espetáculo Ideias de Teto, Salvador, Bahia, Brasil, 2009.

Apresentação do espetáculo Ideias de Teto, Salvador, Bahia, Brasil, 2010.

Aula de Flymoon® para o Balé do Teatro Castro Alves (BTCA), Salvador, Bahia, Brasil, 2014.


Aula de Pilates + Flymoon®. Alunos de Daniele Denovaro. Physio Pilates Ondina, Salvador, Bahia, Brasil, 2013.

Aula de Pilates + Flymoon®. Alunos de Daniele Denovaro. Physio Pilates Ondina, Salvador, Bahia, Brasil, 2013.


Aula de Flymoon® para o Balé do Teatro Castro Alves (BTCA), Salvador, Bahia, Brasil, 2014.

Aula de Flymoon® para o Balé do Teatro Castro Alves (BTCA), Salvador, Bahia, Brasil, 2014.

Turma de Formação em Flymoon® Salvador, 2014.

Turma de Formação em Flymoon® Brasília, 2014.

Turma de Formação em Flymoon® Brasília, 2014.

Aula de Pilates + Flymoon®. Aluno de Duda dos Anjos. Gregório, 90 anos. Physio Pilates Ondina, Salvador, Bahia, Brasil, 2013.

Tem sido incrivelmente gratificante perceber como o equipamento Flymoon® – criado para subverter a gravidade, para fazer sonhar e recriado para mobilização de tornozelo, fortalecimento muscular, flexibilidade, trabalho de equilíbrio, força, propriocepção, dentre outros aspectos motores – serve a ambientes dos quais sempre fiz parte, mas que muito pouco dialogavam: a dança e o estúdio de Pilates. Essa criação finalmente aproxima, transita e reúne aspectos sempre presentes e muito importantes no meu trajeto profissional: técnica e poética. 

Dançarinos, acrobatas, circences, iogues, esportistas, reabilitadores, brincantes, educadores, crianças e todas as tribos: bem vindos à Flymoon® e sua Instabilidade Poética e aproveitem!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Losing ground: instability as an opportunity to reset the perception / Perder o chão: instabilidade como oportunidade de reconfigurar a percepção

"The sensorial information are able to unleash, especially in the marrow and in the vestibular nuclei, very fast unconscious mechanisms that will act in the spinal cord motor neurons, promoting the necessary adjustments. Only then we can produce almost immediate compensations that allow us to maintain balance in situations of great instability and when the surrounding conditions change abruptly. " (CORREIA, 2012. p. 79)
Instability is the motivating strategy of movement. "Losing ground" is losing control and, although scary, it is also an opportunity to reset parameters, to rebuild motor paths, to explore the neuronal plasticity, which also means seeing the world in other ways, discard prejudices and become more flexible.
Photo: Raymundo Firmino

Photo: Raymundo Firmino

Photo: Cláudio F. Soares

Photo: Geraldo Moniz. Fonte: http://www.gieeditores.com.ar/revistacuerpoymente/Pilates-Journal/edicion29.php
“As informações sensoriais têm condições para desencadear, principalmente na medula e nos núcleos vestibulares, mecanismos inconscientes muito rápidos que vão atuar nos motoneurônios medulares, promovendo os ajustamentos necessários. Só assim conseguimos produzir compensações quase imediatas que nos permitem manter o equilíbrio em situações de grande instabilidade e em que as condições envolventes se alteram de forma brusca.” (CORREIA, 2012. p. 79)



A instabilidade é estratégia motivadora de movimento. "Perder o chão" é perder o controle e, apesar de ser assustador, é também uma oportunidade para reconfigurar parâmetros, para reconstruir caminhos motores, para explorar a plasticidade neuronal, o que significa também ver o mundo de outras formas, desfazer preconceitos e tornar-se mais flexível.