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sexta-feira, 27 de março de 2015

Educar é criar as possibilidades

Paulo Freire, sempre:

"É preciso, sobretudo, e aí já vai um destes saberes indispensáveis, que o formando, desde o princípio mesmo de sua experiência formadora, assumindo-se como sujeito também da produção de saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção."

Não tem desculpa, não tem justificativa, Paulo Freire já disse em mais de 8 idiomas, milhares já repetiram, precisamos saber e praticar: educar é criar as possibilidades para as descobertas dos educandos; é favorecer a autonomia; é reconhecer que conhecimento se constrói em todos os lugares e com todo o corpo.


"Daí que seja tão fundamental conhecer o conhecimento existente quanto saber que estamos abertos e aptos à produção do conhecimento ainda não existente."

Encarceramentos intelectuais não me representam.
Pedestais glamourosos não me representam.
Adestramentos não me representam.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

The Poetic Dimension of technique, or: the road is built on the walk / A Dimensão Poética da técnica, ou: o caminho se constrói no caminhar

In the popular imagination, the meaning of the word 'technique' is associated with rigid, pre-set procedures, with known objectives, near to a scientific understanding, which would require objectivity, impartiality, accuracy and reproducibility. Looking from this angle, the meaning of 'technique' is detached from its Poetics Dimension.
Reinstate the Poetics Dimension to the sense of the word 'technique' is important to me because it lowers the mystery around the ability to make art, to choreograph, or to create, even if the creation belongs to a repertoire of movements for non-artistic purposes. Every creative act is linked to ways of doing, it generates a 'modus operandi', it creates paths that can be learned. It's the result of study, research and work. It's technical development. 
The creative process of movement is done through the poetic demands, generating questions, from which bodily responses (techniques) are built. They produce what we see as an artistic result. These techniques are the result of non-predictable poetic demand and non-existent prior to the creative process experience. The path is built with the walk itself. In such cases, it is evident the technical-poetic, art-technical indissociation. It's like playing. On or off stage, with private or public applications, in any case: playing is necessary!











No senso comum, o sentido da palavra técnica é associado a procedimentos rígidos, pré-estabelecidos, com objetivos conhecidos, com significado próximo de um entendimento cientificista, que pressupõe objetividade, imparcialidade, exatidão e replicabilidade. Olhando por esse prisma, o sentido de 'técnica' está desprovido da sua Dimensão Poética.
Reintegrar a Dimensão Poética ao sentido da palavra técnica é importante para mim, porque diminui o mistério sobre a capacidade de fazer arte, de coreografar, ou de criar, mesmo que a criação seja de um repertório de movimentos para finalidades não-artísticas. Todo ato criativo está vinculado a maneiras de fazer, gera 'modus operandi', cria caminhos que podem ser aprendidos. É fruto de estudo, pesquisa e trabalho. É desenvolvimento técnico.
O processo criativo no movimento é feito através das demandas poéticas, que geram perguntas, a partir das quais são construídas respostas corporais (técnicas), que produzem o que vemos como resultado artístico. Essas técnicas são fruto da demanda poética não-previsíveis e não-existentes antes da vivência do processo criativo. O caminho se constrói com o próprio caminhar. Nesses casos, fica evidente a indissociação técnica-poética, arte-técnica. É como brincar. Em cena ou fora dela, com aplicações íntimas ou públicas, em qualquer hipótese: brincar é preciso!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Research and creativity through the moving body / Pesquisa e criatividade pelo corpo em movimento

For Paulo Freire: "there is no teaching without research and research without teaching."
And he explains:
 [...] From my understanding, what is there of a researcher within the teacher is not a quality or a way of being or acting that is added up to the teaching. The quest, the search, the research are part of the nature of the teaching practice. What is necessary is that, throughout their ongoing education, the teachers perceive and accept themselves - because they're teachers - as researchers. (FREIRE, 2009, p. 29)
The same way as Freire (2009), which argues that teachers must be understand themselves as researchers and take over the investigation as a life attitude, Winnicott (1975) states that there is a link between creative living and living itself. For him, people living creatively feel that life is worth living, while those who cannot live creatively have doubts about the value of living.
But ... how to exercise students' creativity in just 2 hours a week? How to convince people of the importance of a less directed and more creative activity? How to justify the methodological change? How to make the "empty" of improvisation less scary?

These were questions that began to find answers during my practice derived from the instability provided by the Flymoon®.












Para Paulo Freire: “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”. 
E ele explica:

[...] No meu entender o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou de atuar que se acrescente à de ensinar. Faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa. O que se precisa é que, em sua formação permanente, o professor se perceba e se assuma, porque professor, como pesquisador. (FREIRE, 2009, p. 29) 

Assim como para Freire (2009), que defende que o professor precisa entender-se como pesquisador e assumir a investigação como atitude de vida, Winnicott (1975) afirma que há um vínculo entre o viver criativo e o viver propriamente dito. Para este, as pessoas que vivem criativamente sentem que a vida merece ser vivida, enquanto aqueles que não podem viver criativamente tem dúvidas sobre o valor do viver. 

Mas... como exercitar a criatividade dos alunos em apenas 2 horas por semana? Como convencer as pessoas da importância de uma atividade menos dirigida e mais criativa? Como justificar a mudança metodológica? Como fazer “o vazio” da improvisação menos assustador?

Essas foram perguntas que começaram a encontrar respostas na minha prática a partir da instabilidade proporcionada pela Flymoon®.