Mostrando postagens com marcador Instabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Instabilidade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de abril de 2015

Bays, cradles, balustrades, swings, beaches and tides / Baías, berços, balaustradas, balanços, praias e marés

Walking around my city, seeing the "bays" on every beach - at the fishermen beach, at the Paciência Beach, at the Buracão Beach, in Rio Vermelho neighborhood, at the Porto da Barra beach - all concave, rounded, cozy, welcoming, inviting as cradles; watching the boats and their swing on the gentle tide of this protected sea, it suddenly became so obvious and made so much sense that the Flymoon® was born here. "Of course!", I suddenly thought. It had to be a Bahian invention, it had to be with the Bahia sea swing, it had to be cozy, colorful and unstable as the city of Salvador.
It goes to the world, connects with the poetry of the moon and takes off the floor. However, it has roots.


Foto: Isbela Trigo. Porto da Barra, Salvador.

Foto: Isbela Trigo. Porto da Barra, Salvador.


Foto: Isbela Trigo. Porto da Barra, Salvador.
Foto: Isbela Trigo. Porto da Barra, Salvador.
Andando pela minha cidade, vendo as "baías" em cada praia - na praia dos pescadores, na praia da paciência, na praia do Buracão, no Rio Vermelho, na praia do Porto da Barra -, todas côncavas, arredondadas, acolhedoras, aconchegantes, convidativas como berços; vendo os barquinhos e seu balanço na maré suave deste mar protegido, de repente ficou tão óbvio e fez tanto sentido que a Flymoon® tenha nascido aqui. "É claro!", eu pensei de repente. Tinha que ser uma invenção baiana, tinha que ser com balanço de mar da Bahia, tinha que ser aconchegante, colorida e instável como a cidade de Salvador. 

Vai para o mundo, conecta com a poesia da lua e tira o chão. No entanto, tem raízes.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Nossos corpos são inerentemente instáveis, por serem programados para a mobilidade


A instabilidade é também resultado de adaptações estratégicas para a sobrevivência. Como afirma Mary Bones:
[...] Nossos corpos são inerentemente instáveis, por serem programados para a mobilidade. [...] Os músculos e outros tecidos que mantém o esqueleto coeso, e os órgãos contidos neles, são quase 70 porcento água, tornando-os ainda mais móveis. A instabilidade do design fornece plasticidade corporal suficiente para adaptar flutuações internas da respiração, digestão e outros processos vitais, assim como a variedade de posições que assumimos ao nos movermos. [...] (BONES, 2007, p. 5). 

Ser instável é parte da natureza. Ser instável é parte da nossa adaptação ao mundo. Instabilidade é estratégia de sobrevivência. Por isso, precisamos brincar com ela na vida e na arte; na infância e na maturidade.


Foto: João Meireles

Foto: João Meireles


quarta-feira, 11 de março de 2015

Para cada pensamento apoiado por sentimento, há uma mudança muscular

Em 1937, Mabel Todd já afirmava que:
[...] Vivendo, o corpo inteiro carrega seu significado e conta sua própria história, levantando, sentando, andando, acordando ou dormindo. [...] Para cada pensamento apoiado por sentimento, há uma mudança muscular. [...]

A possibilidade de olhar diferente, a retirada do que é seguro, a desestabilização, em suma, a Instabilidade, favorece a capacidade de elaborar outros discursos e, portanto, constituir novas maneiras de relação. Segundo minha querida Andréa Bardawil (2011):
[...] a desestabilização nos provoca algo de bom: as novas estruturações de pensamento. Portanto, nossas práticas também não serão as mesmas. 
[...] Exercitar o deslocamento do olhar é admitir que se revirem em nós as categorias e dicotomias [...], que se embaralhem as definições e se desconfigurem os significados [...]

Vamos desestabilizar poeticamente!



terça-feira, 10 de março de 2015

Relações entre imaginário, campo simbólico e musculatura postural


Cláudia Damásioartista, professora e pesquisadora da dança nos diz que: 
[...] Os músculos profundos, chamados de posturais, tônicos, ou ainda gravitários, estão no cruzamento dessas várias instâncias do corpo de que já falamos: biomecânica, motora, perceptiva, afetiva, com sua variação tônica criando “estados de corpo” distintos [...].

A ligação entre a instância simbólica e a função dos músculos tônicos, como nos convida a pensar Cláudia Damásio, faz muito sentido com o pressuposto de Lyli Ehrenfried, desenvolvedora da Ginástica Holística, de que há “[...] um paralelismo rigoroso entre o seu físico e o seu psiquismo. [...]” (EHRENFRIED, 1990, p. 12).

Essas intuições, estudos e afirmações de quem vivenciou e estudou movimento, observando em si e em outros os efeitos provocados pelo mover ao longo da vida, convergem e validam a minha intuição sobre a instabilidade como poderosa ferramenta propiciadora de movimento e de reintegração entre imaginário e bem estar, porque a instabilidade é capaz de acionar a musculatura profunda, fora do controle voluntário, gerando respostas para além da racionalidade, que ensinam a nós mesmos; que tornam a experiência surpreendente para nós mesmos. 


Cena do espetáculo Ideias de Teto. Florianópolis, 2010. Foto: Adriana Cunha. 


quinta-feira, 5 de março de 2015

Desafios do educador através do movimento na atualidade


Parecem ser os Profissionais de Movimento, atravessados por tantas áreas de conhecimento, aqueles com ferramentas adequadas para desestabilizar estruturas sociais instaladas e provocar transformações políticas através da transformação do pensamento sobre corpo e movimento.
Desde práticas íntimas, que nos transformam a cada dia, passando pela resistência cultural necessária de continuar dançando, movendo, fomentando o campo, até a batalha política de ocupação, reconfiguração e convencimento de outras esferas sobre a importância vital desses saberes e fazeres.
Afinada com Sylvie Fortin, “(...) Sustento a ideia de que uma modificação nas fontes de saber empreende uma mudança nas relações de poder. (...)” (FORTIN, 2003, p. 163)
Nesta intenção, listo, aqui, alguns desses pressupostos com os quais me afino:
- não há outro lugar para a produção de conhecimento e a consciência que não seja a materialidade do corpo vivo;
- a base da construção da inteligência/pensamento/sentimento é a motricidade;
- corpo é ideologia;
- cada experiência/vivência se corporifica através de movimento corporal visível ou não aos olhos;
- corpo, movimento, imaginário e arte proporcionam complexidades favoráveis a caminhos evolutivos.





segunda-feira, 2 de março de 2015

O primeiro insight


O primeiro insight foi ficar em pé sobre as bordas. Esta foi a posição que iniciou todo o trabalho. A posição bípede (com o apoio de um pé sobre cada borda da Flymoon®), a mais imediata para a maioria das pessoas, apesar de muito familiar no chão, torna-se inédita e estranha sobre a base abaulada, móvel e estreita, que é a Flymoon®. 

Estar em pé sobre esta base instável não é o mesmo que estar em pé sobre o chão plano e fixo. O arco revela qualquer variação na distribuição de peso entre as pernas, mais comuns do que imaginamos, gerando pequenos balanços involuntários ao tentarmos equilibrar o peso igualmente sobre os dois pés. No imediato momento em que balançamos, entram em ação os sistemas de equilíbrio do corpo – visão, labirinto e sensores proprioceptivos , que trabalham acionando, involuntariamente, a musculatura mais profunda, estabilizadora, para nos manter em equilíbrio.


Não há indicação externa que possa solucionar o seu desequilíbrio de forma tão rápida e eficaz quanto a sua própria inteligência corporal. Essa ‘autoridade’ sobre o próprio esquema corporal é constituinte de todo o trabalho sobre a Flymoon®, que privilegia a autonomia na construção do próprio conhecimento motor. A competência vai sendo desenvolvida a partir da experiência, irrepetível e insubstituível, que não pode ser ‘dada’ pelo professor. Portanto, a busca criativa é parte fundamental desse processo. Quando o movimento está associado à fantasia, imaginação, poesia e ludicidade, existe motivação e a ação fica repleta de sentido.