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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Poetic Instability for times of poetry lack; Instabilidade Poética para tempos desprovidos de poesia


Suely Rolnik, on the divine text "Therapeutics for times of poetry lack", one amongst the many produced by her at the Subjectivity Studies Center (PUC-SP), talks about the work of Lygia Clark:
 [...]Lygia is not the only one to understand health as the ability to create. Among psychoanalysts, for example, she has by her side names like Winnicott, which by the way she was particularly fond of. For the English psychoanalyst, a favorable human development has to do precisely with this ability to relate to the world in a creative way: this is what would give meaning to existence, anchoring the feeling that life is worth living. A kind of 'poetic health'. [...]

The insight that 'poetry' is fundamental not only for my health, but for the well-being of every human being in the world, hit me around 2007, when I began to deal more directly with educators and 'healers'. This intuition led me to build the idea of Poetic Instability, which is materialized in the Flymoon®. This intuition continues to guide me through paths, readings and discoveries. I feel like I'm in very good company with the thoughts of people like Lygia Clark, Winnicott, Suely Rolnik, Susi Martinelli and many scholars in research groups in Brazil and around the world, who understand and defend the poetry in our lives.

(Português)

Suely Rolnik, no divino texto: Uma terapêutica para tempos desprovidos de poesia, um dentre tantos que produz no Núcleo de estudos da subjetividade (PUC-SP), nos conta sobre o trabalho de Lygia Clark:

[...] Lygia não é a única a entender a saúde como a capacidade de criar. Entre os psicanalistas, por exemplo, ela tem ao seu lado figuras como Winnicott, que aliás ela apreciava particularmente. Para o psicanalista inglês, um desenvolvimento humano favorável tem a ver justamente com esta capacidade de relacionar-se com o mundo de maneira criativa: é isto o que daria sentido à existência, ancorando o sentimento de que a vida vale a pena ser vivida. Uma espécie de 'saúde poética'. [...]

Ilustração: Rafael Coutinho/Cosac Naify para: As fantásticas aventuras do Barão de Munchausen
A intuição de que a 'poesia' é fundamental não apenas para a minha saúde, mas para o bem-estar de todo ser humano no mundo, me ocorreu por volta de 2007, quando passei a lidar mais diretamente com educadores e 'curadores'. Esse intuição me levou à construção da ideia de Instabilidade Poética, que se materializa na Flymoon®. Essa intuição continua a me guiar por caminhos, leituras e descobertas. Me sinto muito bem acompanhada com os pensamentos de pessoas como Lygia Clark, Winnicott, Suely Rolnik, Susi Martinelli e tantos estudiosos em grupos de pesquisas pelo Brasil e pelo mundo afora, que entendem e defendem a poesia em nossas vidas.

terça-feira, 17 de março de 2015

Profissionais de Movimento - revolução pela intimidade


Venho ouvindo o termo Profissionais de Movimento há alguns anos, no ambiente do Pilates. Adotei rapidamente essa nomenclatura, pela possibilidade inclusiva que ela traz. Ao invés de diferenciar pela classificação específica de área - arte, educação, saúde -, esse termo aglutina, sem prejuízos, hierarquias ou menosprezos, áreas historicamente apartadas, que de fato se encontram através do corpo em movimento. Me interessa muito mais misturar do que classificar; unir do que separar; colaborar ao invés de competir. 

São Profissionais de Movimento aqueles que trabalham artística, pedagógica ou "curativamente" (profissionais da saúde) através do movimento, ou seja: dançarinos, professores de dança, educadores físicos, fisioterapeutas, instrutores de técnicas corporais ou somáticas, desenvolvedores de técnicas corporais, artistas da performance, atletas, professores de artes marciais, às vezes até estudantes - no caso da dança, ou mesmo das artes marciais, a profissionalização pode vir muito antes de um diploma, por outros meios de legitimação própria dessas áreas - e tantos outros.

Acredito que essas diferentes vertentes (arte, educação e saúde), unidas pelo movimento, formam uma potência politicamente transformadora. Pelo movimento, mobilizamos íntima e profundamente as pessoas. Essas mesmas pessoas irão em frente, reverberando nas suas decisões, na educação dos seus filhos e nos ambientes por onde vivem, as transformações pelas quais passaram. É um potencial revolucionário. É a revolução pela intimidade, como aprendi com Mia Couto.

https://flic.kr/p/dfZz3r